24/05/10

a fonte universal


Quem conhece as teorias de Pacheco Pereira - e eu só conheço de ver as figuras públicas que ele faz - compreende que ele chegou ao cume da montanha dos seus desejos.

(um quadrinho de Les Aventures de la Fin de L'Episode, de Trondheim & Le Gall)


Num assunto de Estado (que ele acha que é de Estado, embora seja apenas mais um episódio da estratégia pidesca contra Sócrates), o caso TVI segundo a última (em data) comissão parlamentar que se debruça sobre o não-caso, JPP já não quer ter apenas um dos títulos de que ele habitualmente já se entende detentor. Exemplos, seguem-se. O único lúcido perante a burrice de todos os outros. O melhor colector de papéis ao cimo da Terra (tirando os serviços de higiene urbana de New York). O mais brilhante analista, capaz de furar o próprio nevoeiro na entrada da barra. A JPP já não basta ter (ser possuidor de) um programa de TV só para elaborar o seu index pessoal das opiniões proibidas. Tudo isto agora é nada, face ao novo estatuto de JPP.

JPP é, agora, a fonte universal. Acabou-se a questão de saber como é que este jornalista soube deste segredo, como é que aquele político penetrou nos canhanhos guardados a sete chaves por juízes impolutos. JPP, agora, está na ímpar situação de que só ele viu, só ele sabe, só ele pode contar. Não importa se, de facto, mais alguém viu, sendo isso pormenores: ele é o único com estatuto para disfrutar desse miradouro. Quer dizer: JPP transformou-se na fonte universal acerca da relevância política das escutas. Ele, que até já sabia as conclusões da comissão de inquérito antes do deputado Semedo, o que é coisa de monta sendo certo que Semedo também já as sabia antes da Comissão dar um pio, acedeu ao estatuto epistemológico da omnisciência auto-produzida. Pacheco viu mais luz no cantinho de consulta às escutas do que viram os três pastorinhos em Fátima no tempo da revolução russa e do medo dos vermelhos. Pacheco encontrou, finalmente, o lugar apropriado para a sua visão da política: ele é a fonte universal. No ver dele, será a primeira experiência de autêntica democratização da comunicação social. Uma première mundial.

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